Coluna Educação-Revista Vitti-Dezembro 2011-Claudia Carraro

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GERAÇÃO COPIA E COLA

Por Claudia Carraro

Segundo pesquisa recente realizada pelo Ibope Nielsen on line, 77,8 milhões de brasileiros possuem acesso à internet. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil na década de 80, e no inicio tinha como objetivo interligar a comunidade acadêmica cientifica com os outros países. Somente na década de 90, através de linhas discadas, a internet chega aos lares brasileiros. Ela possui muitas utilidades positivas, como troca de emails entre familiares e amigos, leitura de noticias, redes sociais, namoros, busca de informações sobre doenças, encontrar lugares interessantes para ir, busca de emprego, compras on line, conversar com pessoas que estão do outro lado do mundo como se estivessem ao nosso lado, etc. Mas, infelizmente, também é mal utilizada  por muitas pessoas, às vezes até mesmo para prejudicar o outro.

Não podemos negar que o acesso a rede mundial facilitou muito a vida das pessoas. Quem se lembra de como era demorado receber ou enviar notícias dos amigos? Quem nasceu na era da internet nem sabe o que é escrever uma carta. Antes dos anos 90 as crianças aprendiam na escola como escrever cartas. Também aprendiam como preencher o envelope, depois ir aos correios colocar selos, pagar e esperar dias o retorno. Impensável atualmente até mesmo para nós, os mais velhos. Hoje mandamos um email e instantaneamente ele chega ao destinatário. Sem falar em propostas comerciais, contratos, negócios feitos on line. Mas tanta rapidez desenvolveu um comportamento negativo nas pessoas, a impaciência. A impaciência é tão grande que os emails são enviados e se o outro não responde imediatamente já se pensa que algo deve estar errado, se você não atende a uma mensagem instantânea deve estar chateado. Essa impaciência chegou às escolas. Alguns alunos não têm mais paciência para escutar o professor, porque acham que podem digitar o assunto no site de buscas e a informação vai estar lá, a qualquer hora. Então, para que perder tempo em participar da aula? É mais interessante virar de costas para o professor e conversar com os colegas. O uso da internet está na sala de aula e às vezes cria situações constrangedoras, como por exemplo, alunos discutindo com o professor porque o que ele falou está diferente do que está escrito na rede. A internet é companheira também nos trabalhos escolares, está tudo lá, sem complicação, é só digitar o que está procurando que aparecem dezenas de sites. Não precisa pensar, pesquisar em livros, analisar o que está escrito, é só copiar e colar. Copiar o conteúdo da internet e colar em um documento e chamar isso de trabalho escolar está se tornando comum entre muitos alunos. Alguns não se dão ao trabalho nem de organizar o conteúdo e mudar fontes e tamanhos das letras. Os trabalhos parecem colchas de retalhos, não possuem estética, conteúdo e muito menos aprendizagem. A geração copia e cola não leva em consideração se o que está escrito ali é verdade ou não, não confere as referências e muito menos está preocupada com direitos autorais.

O computador , assim como a rede mundial, tornou-se indispensável para o trabalho e os estudos. Facilitou muito a vida de cientistas, professores, estudantes e profissionais de modo geral. Mas nem tudo que está na internet é verdade. Os resultados de pesquisa em sites de busca devem ser usados como guia, mas para aprofundar o entendimento e conhecimento, a pesquisa deve ser realizada também em sites que possuem artigos científicos, bibliotecas on line e em livros impressos. Isto é, ler e analisar as informações, estudar o conteúdo para concluir o trabalho e não só copiar e colar.

O conteúdo da internet pode sim ser usado como complementação de trabalho escolar, desde que se cheque se a informação é verdadeira, divulgando a fonte e autor, isto é, citando a referência.

Nossos alunos precisam aprender a pensar. Com tanta informação disponível tornam-se cada vez mais raras visitas à biblioteca e leituras de livros, assim como aprofundamento dos assuntos. Sabe-se de tudo um pouco, mas superficialmente.

É preciso desenvolver a habilidade de compreender, sintetizar e repassar o conhecimento, sem a superficialidade do “copia e cola”.

O profissional que vai se destacar no futuro, não será aquele que irá possuir o maior número de informação e sim o que conseguirá absorver, qualificar e utilizá-la de modo a produzir algo realmente importante para seu desenvolvimento, seja ele pessoal ou profissional.

Portanto, quem copia e cola não está enganando o colega ou o professor, está enganando a si mesmo, com grande chance de estar prejudicando o próprio futuro profissional.

 

Claudia Carraro

Psicóloga, especialista em orientação e caoching de carreiras

www.claudiacarraro.com.br

 

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